O aparelho que permite a detecção de terremotos com clareza é o sismógrafo. Ele é composto por dois equipamentos: o sismômetro e o registrador.
O sismômetro consegue captar vibrações do solo no local em que foi instalado. Existem vários tipos de sismômetros atualmente. Os mais antigos contam com sistemas estáticos massa-mola enquanto que os mais modernos são construídos com as mais avançadas ferramentas eletrônicas. Sismômetros de período curto, de longo período, de banda larga, geofones e hidrofones são alguns exemplos de sismômetros. Sismômetros podem medir as vibrações em componentes verticais e horizontais.
O registrador armazena as informações captadas pelo sismômetro de forma analógica ou digital, dependendo do registrador.
Cada um destes equipamentos possui especificações próprias importantes. Algumas das especificações de sismômetros são: sensibilidade, escala de saída padrão em volts, amostragem por segundo, banda de frequência, entre outras. Algumas especificações do registrador: Ganho, escala no qual os dados são registrados, ruídos, entre outras.

Figura 1. Representação esquemática do sismógrafo (componente vertical).
Para se monitorar uma região conta-se com uma serie de estações sismógraficas constituindo, então, uma rede sismográfica. Na rede sismográfica a forma com que as estações são distribuídas e número de componentes dos sismômetros em cada uma delas dependem do objetivo da instalação da rede. A forma de armazenamento de dados, local ou por telemetria, também depende de vários fatores. Com a rede sismográfica operando é possível analisar e quantificar as ondas sísmicas através do produto gerado pelo sismógrafo: o sismograma.



Figura 2. Representação esquemática de uma rede sismográfica de 4 estações. Exemplo do sismograma (apenas 1 componente) de uma delas ao registrar a passagem de ondas sísmicas.
a) sismograma puro. b) identificação de algumas ondas sísmicas.

A Figura 2 é uma figura esquemática mostrando a identificação de algumas das ondas sísmicas (P, S e Superficiais, Figura 2b) em uma componente do sismograma de uma das estações da rede hipotética da figura no momento de passagem de ondas sísmicas. Para um estudo detalhado todas as componentes são utilizadas.

Escala Richter e de Intensidade

Este é um tema que gera muita confusão na mente das pessoas. Existe uma escala qualitativa da energia liberada por um terremoto que é a Escala de Intensidades de Mercalli (proposta por G. Mercalli em 1884, modificada por Wood e Neumann em 1931 e modificada novamente por Richter em 1956). Essa escala tem um valor mínimo e um valor máximo. Ela descreve os efeitos causados por um terremoto em determinado lugar e, inclusive, altera-se com a distância ao terremoto. Relata os fenômenos observados durante a passagem de ondas sísmicas da seguinte forma, por exemplo: "As paredes sofreram pequenas rachaduras" ou então "Objetos foram lançados das prateleiras com violência". Existe uma classificação padrão de níveis para os fenômenos observados (Tabela 1).
A escala que fornece valores quantitativos para a energia liberada em um terremoto é a Escala Richter. Desenvolvida em 1935 por Charles Francis Richter, baseada em sismogramas registrados em um sismógrafo padrão de Wood-Anderson de período curto, essa escala deu origem a diversas outras. A escala mais utilizada hoje em dia é a escala de momento de magnitudes (Mw). Estas escalas traduzem a energia liberada no terremoto em um número e o maior terremoto ocorrido até hoje ocupa a posição máxima da escala, mas isso não significa que será o máximo em toda a história da humanidade, ou seja, a escala não tem limite.

A escala de intensidades era utilizada com mais frequência no período que antecede o desenvolvimento de sismógrafos e da primeira escala quantitativa. Naquela época as pessoas não tinham outra forma de classificar um terremoto que não fosse pela escala de intensidades.

A Tabela 1 traz, de forma bem resumida, a escala de Mercalli de 1956.

Tabela 1. Resumo dos níveis da escala de Mercalli modificada (1956).
I Imperceptível Não sentido. Apenas registrado pelos sismógrafos
II Muito fraco Sentido por pessoas em repouso em andares elevados de edifícios.
III Fraco Sentido dentro de casa. Objetos balançam.
IV Moderado Carros estacionados balançam, janelas e portas tremem.
V Forte Sentido fora de casa, pessoas acordam, liquidos oscilam ou transbordam, portas e janelas abrem-se e fecham-se.
VI Bastante forte Sentidos em qualquer lugar, pessoas sentem-se inseguras, quadros caem das paredes, mobílias movem-se ou tombam, árvores agitam-se visivelmente.
VII Muito forte Pessoas caem, objetos pendurados começam a balançar, mobílias partem-se, queda de telhas.
VIII Ruinoso Torção e queda de chaminés, monumentos, torres e reservatórios elevados, as estruturas movem-se sobre as fundações se não estão ligadas inferiormente.
IX Desastroso Pânico geral, fraturas no solo, danos gerais nas fundações.
X Destruidor Algumas estruturas de madeira bem construidas e pontas são destruídas, danos sérios em barragens, diques e aterros, grandes desmonoramentos de terrenos, Vias férreas levemente deformadas.
XI Catastrófico Vias férreas grandemente deformadas.
XII Cataclismo Grandes massas rochosas deformadas, a topografia é distorcida, jamais registrado no período histórico.
Fonte: Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos de Portugal.



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