Para se entender a origem dos terremotos é necessária uma noção sobre as principais divisões do planeta Terra. A Terra pode ser dividida de acordo com propriedades físicas ou químicas das rochas que a compõem. A divisão de acordo com propriedades químicas das rochas é a seguinte: Crosta, Manto e Núcleo. A divisão de acordo com propriedades físicas das rochas é a seguinte: Litosfera, Astenosfera, Mesosfera e Núcleo.

No período de diferenciação da Terra primitiva os elementos químicos pesados migraram para o núcleo enquanto que os elementos leves migraram para a crosta. Desta forma configurou-se o que chamamos, baseado em propriedades químicas, de divisão química da Terra. Por exemplo, os elementos mais abundantes na crosta terrestre são o oxigênio (46%, massa atômica 16), o silício (28%, massa atômica 28) e o alumínio (8%, massa atômica 26). Enquanto que ferro (massa atômica 55) e níquel (massa atômica 58) são mais abundantes no núcleo.
Nesta divisão de crosta, manto e núcleo podemos dividir o manto em manto superior e manto inferior e o núcleo em núcleo externo e núcleo interno. O contato entre estas divisões é marcado por descontinuidades, a mais famosa delas é a descontinuidade de Mohorovicic (ou Moho) entre a crosta e o manto delimitando uma mudança composicional.

Do ponto de vista físico a Terra é composta, na sua parte mais externa, por placas litosféricas. Estas placas compreendem a crosta e uma pequena parte do manto e "deslizam" sobre a astenosfera. A astenosfera por sua vez comporta-se de forma plástica e maleável nun intervalo de tempo profundo. Uma de suas principais características é a diminuição da velocidade de ondas sísmicas quando se propagam pela astenosfera (zona de baixa velocidade). Conforme a profundidade aumenta propriedades físicas (como temperatura e pressão) fazem com que a Terra vá se diferenciando do pacote de rochas anterior. Logo após a astenosfera está a mesosfera e o núcleo. O núcleo é dividido em núcleo externo e interno sendo que o núcleo externo é líquido e o núcleo interno é sólido. Ver Figura 1.

Figura 1. Divisão da Terra a partir de suas diferenças químicas e físicas.
Animação 1. Placas litosféricas e suas interações.

As placas litosféricas movimentam-se muito lentamente sobre a superfície da Terra e traduzem a dinamicidade do planeta. Nos limites de placas litosféricas as rochas interagem armazenando tensões extremamente altas. Em um certo momento as tensões ultrapassam a resistência máxima das rochas e essa energia é liberada abruptamente na forma de ondas sísmicas.

Existem diferentes tipos de interação entre os limites de placas litosféricas, por exemplo, limites convergentes, limites divergentes e limites transformantes. A Animação 1 (aperte "play" para começar) mostra as placas litosféricas, seus movimentos relativos e os limites descritos acima.

Os terremotos não ocorrem apenas no contato das placas na superfície, eles também ocorrem em profundidade. Também podem ocorrer no interior de placas litosféricas porém com uma freqüência muito inferior às zonas de interação de placas. Nas regiões intraplaca os principais agentes geradores de terremotos são falhas geológicas que funcionam da mesma forma que as placas litosféricas: armazenam tensões e liberam a energia na forma de ondas sísmicas abruptamente. Outra fonte de tremores é a detonação de explosivos pelo homem.

Ao ponto exato da falha geológica onde ocorre a liberação de energia sísmica dá-se o nome de hipocentro. À projeção vertical do hipocentro na superfície dá-se o nome de epicentro. À profundidade do hipocentro dá-se o nome de profundidade focal (Figura 2).
Figura 2. Exemplo de falha geológica submetida a esforços compressionais. Momento da liberação de energia sísmica.

Portanto, terremotos são tremores de terra causados pela liberação abrupta de energia armazenada em rochas na forma de ondas sísmicas.



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